NAVEGAÇÃO 


NAVEGAÇÃO COSTEIRA E ESTIMADA NAVEGAÇÃO ASTRONÓMICA (I PARTE) NAVEGAÇÃO ASTRONÓMICA (II PARTE)


Faróis | Lista de Faróis | Sistema de Balizagem

NAVEGAÇÃO COSTEIRA é aquela que se faz à vista de costa, tomando como referências determinados pontos conhecidos (conhecenças), os quais têm que estar representados nas cartas.

É um modo de navegação relativamente fácil mas de muita responsabilidade e perigo, pois os riscos junto à costa são, quase sempre, maiores que no mar alto.


Junto à costa há baixios, pedras, navios afundados, correntes mais fortes, influência das marés, etc.

Para uma correcta navegação costeira torna-se necessário ter em atenção os seguintes aspectos fundamentais:

1 Planeamento detalhado da derrota;
2 Escolha da cartas náuticas respeitantes aos locais por onde vai navegar;
3 Estudo atento das cartas que vão ser utilizadas; atenção ao ANO visto ter implicação na declinação magnética;
4 Obter o PONTO e marcá-lo periodicamente na carta;
5 Calcular a hora de chegada aos PONTOS nos quais será necessário alterar a Proa Verdadeira (Pv), utilizando a Velocidade Verdadeira (Vv) obtida entre o ponto marcado anteriormente;
6 Comparar os PONTOS MARCADOS com os PONTOS CARTEADOS, para se conseguir avaliar as correcções eventualmente necessárias.

e atenção porque os erros no mar pagam-se muito caros !!

FARÓIS 

Os primeiros faróis apareceram no Século III a.c..
O farol é normalmente construído na costa e em posições úteis para a navegação. Existem faróis mais pequenos e consequentemente de menor alcance, os Farolins, que servem para indicar a entrada nos portos, docas, baixos, etc.

Existem:

 FARÓIS MARÍTIMOS - destinados exclusivamente à navegação marítima, têm um feixe luminoso com uma pequena abertura angular vertical;
 FARÓIS AEROMARÍTIMOS - destinado à navegação marítima e aérea sendo o seu feixe de grande abertura angular e vertical;
 BARCOS FARÓIS - fundeados em locais onde não é possível a instalação normal de um farol.

O alcance da luz do farol está directamente relacionado com a sua altura, com a sua potência luminosa e sistema óptico e também com a transparência atmosférica.
No entanto, é a característica do feixe luminoso, sua cor e intensidade que mais nos interessa para a identificação de um farol

1. Tipos de Radiação Luminosa:

Tipo de Radiação Características
FIXA Luz contínua e de intensidade constante
RELÂMPAGOS A duração da emissão da luz é menor que a duração da obscuridade
OCULTAÇÃO A duração da emissão da luz é maior que a duração da obscuridade
ISOFÁSICA Luz e obscuridade de igual duração
CINTILANTES Igual duração entre luz e obscuridade, mas com relâmpagos muito rápidos
ALTERNADA Alteração de cor no mesmo azimute

2. Período de Radiação Luminosa: é o intervalo de tempo, medido em segundos, que decorre numa sequência completa de intervalos de luz e obscuridade.

3. Cor:

Cor

Características

Branca (br) A luz branca é usada, de uma maneira geral, em quase todos os faróis;
Vermelha (vm) A luz vermelha é usada nas entradas das barras, bóias em canais e rios, entradas de docas e de portos, tendo as embarcações de dar o seu Bombordo (BB) à bóia ou farol, á entrada;
Verde (vd) A luz verde é usada nas entradas das barras, bóias em canais e rios, entradas de docas e de portos, tendo as embarcações de dar o seu Estibordo (EB) à bóia ou farol, á entrada;

3. Nomenclatura (exemplo):
 
          «
Farol do Cabo da Roca - Rl (4) br 20s 165m 26M (AM) - Ser 20s »

Significado: «4 relâmpagos brancos agrupados com 20 segundos de período, 165 metros de altitude, 26 milhas de alcance nominal, aeromarítimo, buzina de nevoeiro com 20 segundos de período»

 

LISTA DOS FARÓIS 

Nº NAC.

Nº INT.

Nome/Local

Coordenadas

Descrição

21

D-2008

Montedor-a cerca de 4mi a NW da foz do rio Lima 8º 52'.33 Torre prismática com cúpula vermelha. 28m

25

D-2012

Castelo de Santiago.
Na bateria WSW do castelo, atrás da área portuária
41º41'.49
008º50'.27
Torre cilíndrica vermelha com montantes e lanterna brancos. 9m
26 D-2012.1 Senhora da Agonia
Junto á torre da Igreja da Sra da Agonia a 550m do Castelo de Santiago
41º41'.49
008º50'.20
Torre cilíndrica vermelha com montantes e lanterna brancos. 9m
31 D-2016 Esposende
No forte da barra do rio Cávado
41º32'.49
008º47'.36
Torre cilíndrica vermelha com edifício amarelo anexo. 15m
47 D-2020 Regufe
Cerca de 0,5 mi a SSE da igreja de NªSª das Dores
41º22'.37
008º45'-21
Torre cilíndrica com escoras vermelhas. 22m
70 D-2032 Leça
A cerca de 1 mi a N do Porto de Leixões
41º11'.98
008º42'66
Torre cilíndrica branca com faixas estreitas pretas com edifícios anexos. 46m
95 D-2056 Aveiro
A Sul perto da barra do porto.
40º38'.47
008º44'.80
Torre troncocónica com faixas brancas e vermelhas e edifícios anexos. 62m
102 D-2060 Cabo Mondego 40º11'.36
008º54'.24
Torre prismática branca com edifício anexo. 15m
117 D-2072 Penedo da Saudade
A 800m a N de S. Pedro de Muel
39º45'.75
009º01'.79
Torre prismática branca com edifício anexo de côr castanha e cúpula vermelha. 32m
136 D-2086 Berlenga
No ponto mais elevado da ilha Berlenga
39º24'.99
009º30'.47
Torre prismática branca com edifícios anexos. 29m
143 D-2108 Cabo Carvoeiro 39º21'.54
009º24'.39
Torre prismática branca com edifícios anexos. 27m
186 D-2108 Cabo da Roca 39º46'.99
009º29'.75
Torre prismática branca com edifícios anexos. 22m
189 D-2110 Cabo Raso
No forte de S.Brás
38º42'.65
009º29'.03
Torre cilíndrica vermelha. 13m
192 D-2114 Guia
A 1 mi a NW de Cascais
38º41'.81
009º26'.70
Torre prismática branca com cúpula vermelha e edifício anexo. 28m
195 D-2118 Sta Marta
Na pont do Salmôdo, no forte de Sta Marta
38º41'.50
009º25'.17
Torre prismática branca com cúpula vermelha e faixas azuis. 20m
210 D-2126 Bugio
Na torre de S.Lourenço da Barra no ilhéu do Bugio.
38º39'.70
009º17'.85
Torre cilíndrica com cúpula verde. 14m
211 D-2127 Gibalta
na encosta da Gibalta junto á marginal
38º42'.02
00915'.89
Torre cilíndrica com cúpula e nervuras vermelhas, sendo esta iluminadas com luz fluorescente vermelha. 21m
212 D-2127.1 Esteiro
A cerca de 700m do farol anterior entre o arvoredo
38º42'.30
009º15'.51
Torre prismática branca com duas faixas vermelhas ao meio. 15m
355 D-2138 Chibata
No depósito de água da Chibata, junto á mata da Boa Viagem
38º38'.72
009º13´.02
Lanterna. Funcionamento ocasional
360 D-2139 Cabo Espichel 38º24'.84
009º12'90
Torre prismática branca com edifício anexo encimado por lanterna cilíndrica vermelha. 32m
401 D-2160 Cabo de Sines 37º57'.48
008º52'.75
Torre cilíndrica branca com edifício anexo. 22m
426 D-2164 Cabo Sardão
Na ponta do Cavaleiro ou Cabo Sardão
37º35'.82
008º48'.89
Torre prismática branca com edifício anexo encimado por lanterna cilíndrica vermelha. 17m
436 D-2168 Cabo de São Vicente 37º01'.28
008º59'.72
Torre cilíndrica branca com edifício anexo. 28m
445 D-2174 Ponta da Piedade 37º04'.74
008º40'.09
Torre prismática amarela com edifício anexo. 5m
478 D-2192 Alfanzina 37º05'.11
008º26'.48
Torre prismática branca com edifício anexo encimada por lanterna cilíndrica vermelha.23m
491 D-2197.2 Vilamoura
Na torre de controlo do edifício da marina
37º04'.38
008º07'.31
Torre laranja. 16m
505 D-2206 Cabo de Sta Maria
No extremo SW da ilha da Culatra
36º58'.38
007º51'.81
Torre cilíndrica branca com montantes cinzentos encimada por lanterna cilíndrica vermelha e edifício anexo. 46m
590 D-2246 Vila Real Sto António 37º11'.12
007º24'.91
Torre cilíndrica branca com faixas pretas encimada por lanterna cilíndrica vermelha.46m

 

SISTEMA DE BALIZAGEM MARÍTIMA - IALA

Aprovado em Tóquio em 1980, o actual sistema de balizagem veio reduzir para dois os diversos sistemas existentes no mundo.

Foram criadas duas regiões (A e B) cuja linha separadora duma para a outra é o Oceano Atlântico. 
A REGIÃO A engloba a Europa, África, Ásia e Oceania;
A REGIÃO B engloba a América do Norte, América Central e América do Sul.

Assim, a convenção definiu:

REGIÃO ESTIBORDO BOMBORDO
A VERDE VERMELHO
B VERMELHO VERDE

Estabeleceu também os seguintes sistemas de balizagem:
    1. Marcas Laterais;
    2. Marcas Cardeais;
    3. Marcas de Perigo Isolado;
    4. Marcas de Águas Limpas;
    5. Marcas Especiais. 

 

I - MARCAS LATERAIS

O sentido das marcas é o que segue qualquer embarcação vinda do alto-mar quando se aproxima de um porto, barra, rio ou canal.

MARCAS DE ESTIBORDO
Côr - Verde
Numeração - Números Ímpares
Marca - Cone verde com o vértice para cima
Luz - Verde segundo determinado ritmo

MARCAS DE BOMBORDO
Côr - Vermelha
Numeração - Números Pares
Marca - Cilindro vermelho 
Luz - Vermelha segundo determinado ritmo

 

 

II - MARCAS PARA INDICAR O CANAL PRINCIPAL

Canal Principal a BOMBORDO
Cor - 3 faixas horizontais sendo a de cor verde no meio das duas vermelhas
Forma - Cilíndrica
Marca - Cilindro vermelho
Luz - Vermelha segundo determinado  ritmo

Canal Principal a ESTIBORDO
Cor - 3 faixas horizontais sendo a de cor vermelha no meio das duas verdes
Forma - Cónica
Marca - Cone verde com o vértice para cima
Luz - Verde segundo determinado  ritmo

 

 

III - MARCAS CARDEAIS

NW NE
SW SE

 

IV - MARCAS DE PERIGO ISOLADO

Côr - Preta com uma ou mais faixas horizontais vermelhas
Forma - Cilíndrica
Marca - Duas esferas pretas sobrepostas
Luz - Branca com dois relâmpagos

 

V - MARCA DE ÁGUAS LIMPAS

Côr - Faixas verticais vermelhas e brancas
Forma - Esférica, fuso ou antena com alvo esférico
Luz -Branca isofásica ocultações, um relâmpago longo em cada 10 segundos ou código morse (Letra A) 

 

VI - MARCA ESPECIAL

Servem para assinalar alvos com características especiais:
Ex: Áreas destinadas a exercícios militares; existência de cabos ou oleodutos; zona de despejos; separação das zonas de tráfego; áreas reservadas á navegação de recreio.

Côr - Amarela
Forma - Facultativa
Luz - Amarela com ritmo facultativo